segunda-feira, 23 de outubro de 2017

O TARÔ EGÍPCIO ROSACRUZ DE 1933



O TARÔ EGÍPCIO ROSACRUZ DE 1933

Por Tácitus



A imagem acima é um trecho da revista rosacruz norte-americana Rosicrucian Digest, nº1 de 2007, páginas 44-46 editada pela Ordem Rosacruz, AMORC nos E.U.A., que pode ser lida clicando aqui. Ainda nesta mesma revista há a seguinte apresentação:
"Em 1933, H. Spencer Lewis, Imperator da Ordem Rosacruz, AMORC, de 1915 a 1939, publicou estas vinte e duas cartas dos Arcanos Maiores do Tarô como parte da série "Cabala Desvendada", pelo "Frater Aquarius, Escriba". Há muito indisponível, elas proporcionam uma mistura do tema tradicional do tarô com o simbolismo egípcio."
Muitos estudantes rosacruzes e martinistas ficaram curiosos sobre o Tarô da AMORC ou ainda Tarô Rosacruz, como está sendo chamado e onde poderiam ter mais informações a respeito. O Tarô é um assunto que muitos estudantes se interessam, apesar de não ser abordado dentro de sistema de estudo rosacruz ou martinista, muitos de nossos mestres martinistas do passados como Eliphas Lévi e Papus elevaram o estudo do tarô como ferramenta de autoconhecimento, sendo assim tratada por nossos estudantes rosacruzes e martinistas, de forma simbólica.

Sobre o Tarô

Cabe esclarecer previamente que a origem do tarô é incerta, não podendo afirmar que seja egípcio ou não. O responsável por dar a suposta origem egípcia ao tarô foi o pastor e ocultista Antoine Court de Gebelin em 1775, que dizia ter descoberto a origem do tarô quando se consultava com uma cartomante, nela teria visto hieróglifos egípcios. A origem do tarô ainda é desconhecida, mas as primeiras cartas conhecidas foram datadas em 1369, sendo chamado por ludus cartarum

Se por um lado não podemos comprovar sua origem, por outro se dá o mesmo em definir arbitrariamente sua origem egípcia. Só em 1490 aproximadamente começou a ser chamado por tarocco (Itália) e na França por tarot, palavra essa de etimologia desconhecida, como afirma o brasileiro Nei Naiff. 

Sabe-se que a estrutura básica do tarô clássico é a composta por 78 arcanos sendo 22 arcanos maiores e 56 menores, esses divididos em quatro naipes contendo cada quadro figuras e dez sequencias numeradas.

Cerimônia Rosacruz em Luxor de 14 de fevereiro de 1929

1.Revista The Mystical Triangle 08/1929
Nessa data os Rosacruzes de jurisdição de língua inglesa para os EUA, fariam uma viagem turística ao Egito e também, participariam de uma cerimônia de iniciação ao 4º Grau da Ordem, que entre vários percalços acabou acontecendo.

Essa viagem foi publicada passo a passo e em detalhes na revista The Mystical Triangle, agosto de 1929 (imagem ao lado). De acordo com o então Imperator Harvey S. Lewis, todos aqueles presentes à esta Iniciação posteriormente receberiam uma série de monografias extras sobre cabala, além de serem considerados membros da simbólica Loja R+C Amenhotep de Luxor, enviando um certificado como forma de lembrança da cerimônia ocorrida naquele dia no vale do Nilo. 

II. Certificado simbólicoPosteriormente Ralph M. Lewis enviaria esse certificado a todo membro que atingisse o 4º Grau de Templo dos estudos Rosacruzes, relembrando simbolicamente assim aquela cerimônia. Em San José, Califórnia então sede da Suprema Grande Loja da AMORC, em 1935 foi construído o “Memorial de Amenhotep IV” comemorativo dessa mesma viagem ao Egito.

A nova série de monografias enviadas em paralelo aos membros do 4ºGrau de Templo foi chamada de “Kabbalah Unveiled by Frater Aquarius”. No Brasil era enviada apenas em espanhol com título “Cabala Sin Velos” pelo Frater Aquarius”. Como veremos adiante após alguns anos o “Cabala Desvendada do Frater Aquarius” foi substituída por outra de mesmo nome, porém assinada pelo Frater Temporator, significativas alterações foram feitas e é essa versão que nos chega até hoje.

Aquarius x Temporator

A revista Rosicrucian Digest apenas apresenta os 22 arcanos maiores do tarô, mas não dá maiores informações de sua origem, quem o desenvolveu ou como seria utilizado. Sabe-se pela revista, que faria parte da indisponível série de monografias chamada Cabala Desvendada pelo Frater Aquarius, Escriba. Não descobrimos, entretanto, quem seria o Frater Aquarius Escriba.

III.A Cabala desvendada Frater Temporator
Houveram duas séries distintas das monografias intituladas A Cabala Desvendada, a primeira, mas antiga pelo Frater Aquarius Escriba de aproximadamente 1930 e a segunda e atual pelo Frater Temporator Escriba.

Iniciando pela mais recente do Frater Temporator, vemos que essa publicação originalmente enviada em formato de monografias, composta de 22 discursos privativos em forma de monografias, divididas em duas séries (A e B) enviadas aos membros da Ordem entre as décadas de 60 a 80, atualmente é editada e a disposição dos membros em formato de livro, inclusive em língua portuguesa.


Nessa publicação do Frater Temporator temos noções elementares, mas importantes sobre a Cabala baseadas no Livro do Esplendor ou Zohar assim como no Livro da Criação ou Sepher Yezirah, muito utilizado pelos estudantes rosacruzes-martinistas. As referências sobre o tarô aparecem somente no capítulo 18 em tom de alerta, e com muitas reservas quanto ao estudo da Cabala baseados no tarô. 

Não há estudo da simbologia dos arcanos, nem técnicas para a taromancia oracular nem qualquer forma de estudo, quer seja específico quer seja referencial com a cabala.

IV. La Cabala Sin Velos Frater Aquarius
Imagem do La Cabala Sin Velos Frater Aquarius









Já a série do Frater Aquarius Escriba - mais antiga que a do Frater Temporator – atenta longamente ao estudo da simbologia universal dos arcanos maiores, traçando comparativos entre as linhas de estudos do tarô de A.E. Waite (inglesa), de Papus (francesa), a do Conde C. de Saint-Germain (Egípcio) e pôr fim a explicação Rosacruz do número do arcano. Da mesma forma alerta quanto às correlações feitas entre a cabala, letras hebraicas, caminhos da árvore da vida e o tarô, afirmando que não há consenso quanto às correlações corretas e que, diversos autores da época, tanto da linha francesa quanto da linha inglesa do estudo de tarô, não chegam a um denominador comum dessas relações. Entretanto não há qualquer forma ou técnica para o jogo do tarô em si para adivinhação ou previsão. O estudo é totalmente focado no simbolismo e autoconhecimento. Da mesma forma esse estudo não conferia ao estudante qualquer autoridade no assunto sendo a experiência mística advinda do estudo da cabala o objetivo central.

Qual a origem então do Tarô Egípcio Rosacruz de 1933?

No Cabala Sin Velos do Frater Aquarius, Escriba no discurso número 4 dessa série verificamos o plano de interpretações que o Frater em questão propôs para o estudo do simbolismo dos arcanos:
“O plano do autor é estabelecer primeiro, o pensamento da escola francesa da Cabala e para este fim citamos Papus, a maior autoridade francesa. A segunda análise é da escola inglesa encabeçada por Waite. A terceira interpretação é a do Saint Germain (...). A quarta parte de cada monografia é a moderna interpretação Rosacruz (...)”.
Assim já conseguimos começar a desvendar a base desses discursos sobre cabala e mais ainda traçar origem do Tarô Rosacruz, pois há menção de três fontes que o compõe: Papus, A.E.Waite e Saint-Germain. Os dois primeiros autores vamos dispensar nossa atenção devido ao fato de serem amplamente conhecidos, assim como seus livros e toda sua bibliografia. Vamos focar na terceira fonte: Saint-Germain.

O Conde de Saint-Germain, Mestre de tradições esotéricas também muito conhecido pela sua eterna juventude e vida misteriosa, ao pesquisar a fundo sua obra não encontramos qualquer estudo sobre Tarô. O Conde de Saint-Germain citado nos discursos do Frater Aquarius era nada menos que Edgar Vancourt que, em 1901 sob pseudônimo “Comte C. de Saint-Germain” escreveu o livro Practical Astrology, A Simple Method of Casting Horoscopes, em livre tradução seria “Astrologia Prática, Um Simples Método para Traçar Horóscopos.

Ao confrontar as descrições dos arcanos descritos no Practical Astrology e o Cabala Sin Velos do Frater Aquarius, constatamos serem idênticas, integralmente. Nas imagens abaixo vemos um trecho do discurso nº 9 do Cabala Sin Velos do Frater Aquarius e a sua direita as páginas 194 e 195 do Practical Astrology, ambas descrevendo o simbolismo do Arcano nº5 ou Sumo Sacerdote:
 





















Portanto concluímos que nosso Frater Aquarius tomou como base esse livro de Edgar Vancourt, Practical Astrology de 1901 para ajudar a compor juntamente com escritos de Papus e Waite, seu Cabala Sin Velos ou em português Cabala Desvendada.
 V. Tarô de Falconnier, 1896
 VI. Tarô do "Saint-Germain", 1901VII.Tarô Rosacruz, 1933




V. Tarô de Falconnier, 1896     VI. Tarô do "Saint-Germain", 1901     VII.Tarô Rosacruz, 1933

Ainda em seu livro Edgar Vancourt ou Comte C. de Saint-Germain, seu pseudônimo, mostra os arcanos maiores e menores, como visto na imagem acima. Por outro lado, não cita a fonte ou qual seria o tarô por ele usado. O estudante mais atento verificará que o Tarô Rosacruz de 1933 está muito similar ao de Saint-Germain de 1901 e esse por fim, idêntico ao Tarô de Falconnier.  O Senhor R. Falconnier publicou em 1896 seu livro “Les XXII Lames Hermètiques du Tarot Divinatoire” ou em livre tradução “As 22 Lâminas Herméticas do Tarô Divinatório”

Nessa época o Egito exercia forte influência no imaginário esotérico dentro de quase todas as ciências ditas ocultas e escolas místicas, o tarô foi uma delas.

O livro de Falconnier relata uma possível origem egípcia, além de exposição simbólica de todos os 22 arcanos do tarô. Reparamos que o Edgar Vancourt ou Comte C. de Saint-Germain tomou por base quase integralmente não apenas as lâminas, mas também o significado das lâminas de Falconnier para fazer seu Practical Astrology.

Assim o ”Rosicrucian Egyptian Tarot", nada mais é que o tarô de Falconnier de 1896, e que esse chegou ao nosso Frater Aquarius através do livro Practical Astrology do Edgar Vancourt, vulgo Conde C. de Saint-Germain. Excelentes fontes para estudo simbólico.

Esclarecimento

Inicialmente esclarecemos que esse texto não é posição oficial da Ordem quanto ao assunto. É antes uma pesquisa inicial e livre sobre o assunto.

Que a Ordem Rosacruz, AMORC não contempla em seus estudos o Tarô, nem forma tarólogos, nem cartomantes ou afins. Esse estudo não está inserido dentro do sistema de instrução oficial da Ordem. Entretanto cada membro tem a liberdade de estudar por si se assim desejar. Informamos também que o livro A Cabala Desvendada pelo Frater Temporator, faz um excelente estudo básico mas abrangente da Cabala, indicado a todo estudante Rosacruz e Martinista, no entanto não aborda a prática nem métodos de consulta ao tarô.


Referências Bibliográficas

AQUARIUS, Frater. La Cabala Sin Velos. San José: AMORC. 1933.
TEMPORATOR, Frater. A Cabala Desvendada “Monografias Séria A e B”. Brasil: Ordem Rosacruz, AMORC, Grande Loja do Brasil. 1970 (aprox.)
TEMPORATOR, Frater. A Cabala Desvendada. 2º ed. Curitiba: Ordem Rosacruz AMORC, Grande Loja do Brasil. 1985.
AMORC, The Supreme Council of. The Mystical Triangle. San José/EUA. Vol. VII nº 7. Rosicrucian Park. 1929.
AMORC, The Supreme Grand Lodge of. Rosicrucian Digest. San José/EUA. Vol.85 nº 1. Rosicrucian Park. 2007.
VANCOURT, Edgar “Comte C. de Saint-Germain”. Practical Astrology. Chicago: Laird & Lee Publishers. 1901.
FALCONNIER, R. Les XXII Lames Hermètiques du Tarot Divinatoire. 8ª imp. Paris: Libraire de L’art Indépendant. 1896.
GÉBELIN, Antoine Court de. Monde Primitif, Analysé et Comparé avec Le Monde Moderne. Paris: Valleyre L’aîné Impremeur Livraire. 1781
ENCAUSSE, Gerard “Papus”. Tarô dos Boêmios. 3ª ed. São Paulo. Ícone Editora. 2003.
LÉVI, Éliphas. A Chave dos Grandes Mistérios. São Paulo: Editora Pensamento. 2011
WIRTH, Oswald. The Tarot of Magicians.2ª ed. York Beach/EUA. Samuel Weiser, INC. 1990
NAIFF, Nei. Estudos Completos do Tarô, Volumes I, II e III. 2ª ed. Rio de Janeiro: Best-Seller. 2015




quinta-feira, 18 de agosto de 2016

A FÉ, FACULDADE ESPIRITUAL

A Fé
Faculdade Espiritual

Por
Constant Chevillon
 
A Fé não é apenas uma virtude teológica, uma certeza intelectual e moral de ordem especulativa. É também uma Luz viva que se incorpora, de certa maneira, à vontade e torna-se um poder espiritual, um dinamismo efetivo, cujas potencialidades se atualizam e repercutem em todos os nossos atos.

Ela é uma realização contínua da experiência humana.
 

Essa fé dinâmica é a alavanca das Escrituras e o ponto de apoio de Arquimedes. Aplicada ao eixo das leis naturais, ela pode desencadeá-las bruscamente, reforçar sua ação, ou desviar seu curso para introduzir no ciclo normal da criação visível as leis superiores do mundo invisível. Ela pode curar as doenças, iluminar as inteligências, fortalecer as vontades, aniquilar os obstáculos, realizar milagres. Mas esta é a faceta menor de seu poder realizador.

Ela está na própria origem da nossa consciência; ela nos dá a certeza absoluta de nossa realidade, é a raiz e o princípio do “Cogito” de Descartes. Ela nos confirma, portanto, numa segurança moral, intelectual e física, das quais nossas cogitações e nossos atos subseqüentes são a prova e a conseqüência imediata.

As bases do julgamento — pelo qual nossa personalidade assume seu valor, suas responsabilidades, eleva-se ou desce a certo nível — são função de seu dinamismo próprio. A fé pode tornar-se, em cada homem, um “Fiat” criador, suscetível de projetá-lo rumo ao plano divino e de torná-lo coparticipante dos atributos de Deus. Porque, não satisfeita com uma autocriação interna da consciência, ela é o suporte e o aguilhão da liberdade, da qual a vontade é o órgão; ela assegura seu desenvolvimento e uso no quadro do nosso ser, mas levando sempre mais adiante o limite de suas possibilidades.

Mônada essencialmente expansiva, ela de fato irradia-se no nada para nele suscitar uma criação análoga à que realiza em nós; ela é o Mesmo em gestação do Outro.

Assim, a fé não é uma crença tímida, incessantemente abalada pelos acontecimentos exteriores, sempre em busca de uma consolidação problemática. É uma consciência absoluta das possibilidades interiores de nosso ser e de suas reações vitoriosas. É uma possessão antecipada do futuro, a bigorna sobre a qual forjamos duramente nosso porvir, porque o homem, malgrado as contingências individuais ou coletivas, é o artesão de seu próprio destino; ele o faz grande, mesquinho ou miserável, ao ritmo da fé que o anima.

Em sua unicidade substancial, a fé assume um aspecto triplo: fé em Deus, fé em si mesmo, fé no destino. Se perdermos a primeira, perdemos também as outras, porque Deus é o eixo do Universo e é ainda um fim. Se o aspecto divino desaparece de nossas faculdades, não há mais suporte nem fim adequados à nossa essência íntima.

Nenhum raciocínio, nenhum pensamento, nenhum gesto poderão colocar-nos diante de um porvir que satisfaça as nossas aspirações. Ficaremos num vai e vem entre uma margem e a outra do rio vital, prontos a afundar no abismo das contingências.

Ora, a fé não nasce na dispersão anímica e intelectual, ela repousa na unicidade espiritual. Um homem, um povo dividido contra si mesmo, refratário à unidade, perecerá na desagregação de seus elementos. Tornado, ao contrário, coesivo pela unificação de suas partes constitutivas, viverá no tempo e no espaço, pois ele está confirmado na segurança interna, contra a qual as discórdias externas são impotentes.

Coloquem dois homens em confronto na luta pela vida. O triunfo pertencerá ao detentor da fé mais enérgica e mais atualizada. Ele é, de fato, o melhor adaptado ao fim real da raça humana, porque essa adaptação resulta da fé, parte integrante e centro de seu ser.

A fé verdadeira é pouco comum; os homens afastam-se dela, preferem a facilidade das vontades vacilantes, a dúvida, à certeza, e a influência passional à pureza do coração.

Esta matéria foi publicada pela primeira vez na Revista L’Initiation no nº 4 de 1983. 

Fonte: Sociedade das Ciências Antigas

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

RA-MAK-HOTEP E OS HOMENS QUE VEGETAM PELAS SOMBRAS


NT.: Texto abaixo encaixa-se perfeitamente na atualidade, principalmente entre os sábios e iniciadores de 5min e suas discussões em redes sociais.


Paul Brunton

Ra-Mak-Hotep*

Por: Sri Sevãnanda Swami, 23/07/1950

Não sabe do valor do poder aquele que divaga inutilmente! Não sabe do valor do poder aquele que deixa que sua atenção voe loucamente, como uma mariposa, sobre pequenas coisas e objetos que, ainda que relativamente nobres em si mesmos, não devem ter a atenção daqueles que querem ocupar-se com coisas de mais necessidade e importância. Não se pode, ao mesmo tempo, servir à Luz e a pequenas coisas que vegetam nas sombras. Assim, todos vós, se quereis buscar a Luz e Servir, ide direto à Luz, com os olhos fixos nela, e não deixeis destruir vossos esforços e vossa atenção nem gastais mal nenhuma energia: nem corporal, nem mental, nem visual, nem auditiva, nem verbal, especialmente verbal, nem coisa alguma que não seja bela, nobre, útil e, se possível, grande.

A diferença essencial (meditem o sentido de “essencial”) entre um Irmão da Luz e os homens que vegetam pelas sombras é que os homens que vegetam pelas sombras falam de coisas grandes que não são capazes de ver nem sentir. Já o Irmão da Luz fala muito pouco, porque seu coração e sua mente estão constantemente fixados em coisas Eternas, em coisas realmente grandes, e, ainda que se ocupe de algo menor, o faz empregando tanta grandeza de pensamento que dele não pode sair nada além de justas, belas, sábias, poucas e amorosas palavras, vigiadas e carregadas de poder, e, repito, carregadas de poder, porque são tão poucas as vezes em que se dedica a apreciar algo menor, tão raro que Sua consciência central se ocupe de falar, observar e atuar através do corpo que, quando o faz, é como o violinista pondo toda a sua arte através de um arco e uma corda, e é exatamente aí então que vibra o corpo e transmite um enorme poder que, por si, nada tem a mais do que o próprio violino, mas aquilo que um violino é capaz de transmitir.

Assim, pois, enobrecei vossos corpos e mentes. Empregai vossos corações, reduzi vossas palavras, sintetizai vossos pensamentos, vivei de forma intensa, atenta e humilde, para que quando fordes chamados a usar o instrumento, o tenhais em condições. E que o poder esteja armazenado por não haverdes gasto mal nenhuma de suas forças componentes. Assim, e só assim, os Senhores dos Poderes Secretos que residem nas Pirâmides outorgarão alguma vez alguma atenção a vossos desejos, desde que sejam desejos grandes, reconcentrados e contínuos, e não coisas ditas e repetidas mil vezes pelos lábios em vez de ardente impulso que move o coração e necessidade constante de um cérebro poderoso.

Haveis me obrigado a falar mais do que houvera desejado. Que vos seja proveitoso meditar umas cem vezes sobre o que vos disse.

Que a Luz e a Paz possam penetrar em vós, porque somente quando as deixeis entrar tereis algo para Dar de volta.

*Ra-Mak-Hotep: vive na Pérsia, Irã e Egito. Dirige telepaticamente aos que seguem a via egípcia da busca da Luz pela magia da vida. 

Fontes: 
"O Egito Secreto", Paul Brunton

.·.

domingo, 7 de agosto de 2016

Saber Quem Está Mais Adiantado, A Verdadeira Arte de Fazer Comparações

NT.: Apresentamos para nosso estudo de hoje, o texto de Carlos C. Aveline, dedicado a todo estudante, principalmente aos que dispensam horas de puro desperdício traçando comparativos entre alunos, escolas, ordens seja pessoalmente ou em grupos virtuais. 

"Disputa do Sagrado Sacramaneto", autor Rafael, 1509 -1510.
  
Saber Quem Está Mais Adiantado
A Verdadeira Arte de Fazer Comparações
  
Por: Carlos Cardoso Aveline
 
“Um grupo de estudantes das Doutrinas Esot.
que queira obter qualquer proveito espiritual deve
estar em perfeita harmonia e unidade de pensamento.”

Um Mestre de Sabedoria [1]

A busca da sabedoria mostra que, quando a meta é suprema, o realismo é indispensável. Sem discernimento não há como evitar a derrota.

Um exemplo prático da necessidade de bom senso está no fato de que, nas primeiras etapas do aprendizado, o estudante pode ter vontade de saber se algum outro estudante está mais atrasado ou mais adiantado que ele no caminho.

A tentativa de saber “quem está mais na frente” na caminhada não leva a nada. Quem hoje parece brilhante e dedicado pode revelar-se, amanhã, como alguém que não tem perseverança. Aquele que agora parece ter enormes limitações talvez experimente um grande despertar dentro de cinco anos, ou de cinco dias. E as melhores qualidades internas de alguém talvez sejam invisíveis para todos.

Comparar-se com os outros para ver “quem é o melhor” é inútil, portanto, e quase sempre prejudicial; mas o estudante pode comparar-se consigo mesmo. Esta é a verdadeira arte de fazer comparações, em teosofia.

* Será que ele é um indivíduo melhor, hoje, do que há dez anos?

* Ele está tomando providências para que amanhã pela manhã seja um melhor ser humano do que é hoje? E no próximo ano?

* Ele tem certeza de que o tempo da sua vida não está passando em vão?

* Em que aspectos ele pode melhorar a eficiência da sua caminhada?

Aprender com os outros não implica especular sobre se eles são “mais adiantados”. Ensinar aos outros não é motivo para supor que se é “mais evoluído que eles”. Interessa, isso sim, aumentar o seu próprio nível de eficiência energética, concentrando a mente na sabedoria, na cooperação entre todos, e no ideal de uma vida correta.

Interessa examinar se o esquema referencial e o processo de pesquisa, de ensino e aprendizagem de que se faz parte são legítimos e abertos ao exame crítico. Cabe ao estudante garantir que a fonte dos ensinamentos é autêntica e fazer o melhor que pode de modo sustentável, numa perspectiva de tempo que inclui várias encarnações. 

NOTA: 
[1] Veja o item III, Carta 3, primeira série, em “Cartas dos Mestres de Sabedoria”, pp. 24-25. Neste trecho a tradução está revisada levando em conta o original em inglês.
Uma versão inicial do texto acima foi publicada de modo anônimo na edição de junho de 2010 de “O Teosofista”.